PADRÕES DE DISTRIBUIÇÃO DA TONINHA (Pontoporia blainvillei) (Gervais & D`Orbigny, 1844) EM ÁREAS CONSIDERADAS PARA A IMPLEMENTAÇÃO DE AEROGERADORES NA PLATAFORMA CONTINENTAL DO RIO GRANDE DO SUL
Autor: Júlia Emanoela Ribeiro (Currículo Lattes)
Resumo
A toninha (Pontoporia blainvillei), um golfinho endêmico do Oceano Atlântico Sul Ocidental que habita águas costeiras com profundidades de até 50 m, classificada entre os cetáceos mais ameaçados da região em decorrência da captura incidental registrada ao longo de toda a sua área de distribuição. Entretanto, o desenvolvimento e expansão das zonas costeiras, também podem gerar possíveis impactos à espécie, como por exemplo a implementação de parques eólicos offshore. Esse estudo teve como objetivo avaliar os padrões de distribuição da toninha, por duas fontes de dados distintas, dados dependentes da pesca e independentes da pesca (i.e, monitoramentos aéreos), e predizer áreas de maior concentração da espécie no Rio Grande do Sul. Além disso, avaliamos os dados de predição de abundância da espécie sobrepostas a áreas de interesse para implementação de aerogeradores offshore em toda a costa do Rio Grande do Sul. Como os dados apresentam características espaço-temporais distintas, utilizamos duas metodologias diferentes para gerar mapas de predição da espécie em todo o Rio Grande do Sul para avaliar os padrões de distribuição. Ademais, testamos a convergência dos dados por meio de teste-t modificado. Os resultados indicaram que os dados não são convergentes em termos da magnitude de estimativas de abundância, porém, os métodos revelaram padrões espaciais consistentes. As maiores densidades foram associadas a áreas estuarinas, destacando-se a desembocadura da Barra de Imbé/Tramandaí, ao norte, e a região da Barra do Rio Grande e Farol do Albardão, ao sul. A sobreposição entre as áreas de maior densidade e as regiões pleiteadas para a instalação de parques eólicos offshore evidencia um potencial conflito espacial. Identificamos que a porção norte e a desembocadura da Barra de Rio Grande e ao Farol do Albardão foram consideradas áreas de risco alto, pela alta densidade da espécie sobreposta aos polígonos. Esses achados reforçam a importância da avaliação espacial prévia para subsidiar medidas de conservação e orientar o planejamento da instalação de parques eólicos offshore na costa do Rio Grande do Sul