Tese - Leticia Cazarin Baldoni

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Dinâmica espaço-temporal da distribuição vertical do meso e macrozooplâncton ao norte da Península Antártica

Autor: Leticia Cazarin Baldoni (Currículo Lattes)

Resumo

Os organismos zooplanctônicos conectam os produtores primários aos níveis tróficos superiores e, transferem matéria e carbono verticalmente das águas superficiais para as zonas profundas. A eficiência desses processos depende da composição taxonômica e ecologia trófica dessas comunidades, uma questão particularmente importante no ambiente antártico, sensível às mudanças climáticas globais e com impactos evidentes em todo ecossistema. Aos arredores do Norte da Península Antártica (NPA), o rápido aquecimento regional tem alterado a composição do fitoplâncton e, consequentemente, pode estar modificando a estrutura e a dinâmica do zooplâncton, influenciando sua distribuição e interações tróficas. Este estudo analisou as dinâmicas de meso e macrozooplâncton em escalas temporais curtas, essenciais para entender a estrutura da comunidade planctônica em um ambiente sensível às mudanças climáticas. Amostragens verticais (0-500 m) foram realizadas no verão de 2017, 2018 e 2019 para analisar as mudanças interanuais na composição zooplanctônica nos estreitos de Gerlache, Bransfield e no Mar de Bellingshausen. Ainda em 2017, uma estação no Estreito de Bransfield também foi amostrada para investigar a migração vertical do zooplâncton e a alimentação de krill e salpas por meio de um experimento com pelotas fecais. Dados físicos e de fitoplâncton permitiram testar as relações das comunidades com variáveis ambientais. Temperaturas superficiais excepcionalmente altas em 2017 (3,2 °C), resultaram em uma alta estabilidade da coluna d'água, que associada a predominância de criptófitas e dinoflagelados, favoreceram altas abundâncias de Salpa thompsoni e copépodes maiores (>2000 µm), como Metridia gerlachei. Em contraste, 2018 e 2019 condições térmicas mais amenas, menor estabilidade e a ausência de S. thompsoni, favoreceram maiores abundâncias de copépodes menores (<2000 µm) como Ctenocalanus citer e Oithona spp. Além disso, este estudo registrou pela primeira vez a presença de uma éfira de Desmonema glaciale na região e expandiu a distribuição do tunicado Dolioletta spp. para águas polares, reforçando a contribuição do meroplâncton e a importância do monitoramento da biodiversidade antártica, essencial para compreender os efeitos das mudanças climáticas nos ecossistemas marinhos polares. Durante o ciclo de 20 horas de amostragens, as salpas permaneceram abundantes na superfície, e, ao reduzirem suas abundâncias ainda no período noturno, tornou-se evidente a migração nictemeral de Euphausia superba e a migração ontogenética de M. gerlachei. Já os organismos carnívoros e detritívoros permaneceram mais abundantes na zona mesopelágica. Essas dinâmicas destacam a complexidade dos padrões de distribuição vertical. O experimento mostrou que as salpas ingerem criptófitas, o que pode ter impulsionado sua proliferação devido à disponibilidade dessa fonte alimentar. Este estudo revelou mudanças significativas na composição e abundância do zooplâncton antártico no NPA em escalas diárias a interanuais, que podem impactar os ciclos biogeoquímicos e as dinâmicas das redes alimentares a longo prazo, caso as condições observadas persistam. Para avançar na compreensão das mudanças observadas, estudos futuros devem integrar amostragens diurnas e noturnas em estratos menores, conduzidas de forma contínua ao longo dos anos, permitindo uma análise mais detalhada da influência das variações ambientais na estrutura e dinâmica do zooplâncton antártico.

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Palavras-chave: Oceanografia biológicaZooplânctonMesozooplânctonDistribuição verticalMigração nictemeralPenínsula AntárticaOceano Austral